• Arquitetura

    Quarta-Feira, 31 de Agosto de 2011
    Aldeia entrevista o arquiteto Marcio Kogan

    Marcio Kogan, que proferiu palestra no segundo dia do Earq Goiânia 2011, formou-se em arquitetura no Mackenzie, em 1977. Premiado quatro vezes pelo IAB e indicado ao World Architecture Awards, Kogan possui um estilo muito próprio e, segundo suas próprias palavras, “faço as pessoas ficarem felizes em seus espaços”. Em entrevista para a Aldeia, o arquiteto brasileiro conta como ocorreu a transição entre cinema e arquitetura, as referências que segue, o trabalho no Studio MK27 e ainda dá uma dica para os jovens arquitetos. Confira! Aldeia - Como foi o processo de transição entre ser cineasta e depois arquiteto? Marcio Kogan - Aos 17 anos, entrei desavisado num cinema para assistir o filme “O Silêncio de Ingmar Bergman”, e comecei a reparar que meus sentimentos estavam projetados naquela simples tela de cinema. Este fato me influenciou de forma contundente, compreendendo na alma a força daquilo. Saí do cinema vendo novamente a vida em cores. Durante meus estudos de arquitetura comecei a dirigir curta-metragens e tinha uma grande paixão pelo cinema. Fui influenciado por Bergman, Fellini, Jaques Tati e Andy Warhol. Depois que realizei um longa-metragem em 1988, e senti a dificuldade de se fazer cinema no Brasil naquele momento, acabei voltando definitivamente para a minha vida de arquiteto. Aldeia - Quais referências tem, além de Paulo Mendes da Rocha, para fazer seus projetos? Marcio Kogan - Sou um fanático seguidor da arquitetura modernista brasileira que surgiu no final dos anos 30 e foi absolutamente sensacional. São nomes como, Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Reidy, Rino Levi, Lina Bo Bardi, Vilanova Artigas e alguns outros. É interessante e difícil de compreender como um país como o Brasil, numa época quase sem fluxo de informação, tinha tantos arquitetos produzindo um repertório desta magnitude. O meu trabalho humildemente revisita este momento mágico. Aldeia - Qual é a metodologia de trabalho que seguem no Studio MK27? Marcio Kogan - São quase 20 pessoas que desempenham um papel importante nos projetos. Todos são incríveis colaboradores e co-autores dos projetos. A falada harmonia existe aqui dentro e luto por ela em todos os momentos, e para mim isto é o mais importante. Quando vamos começar um novo projeto fazemos uma charrete interna com as equipes divididas em 3 ou 4, sem a minha participação, com o objetivo de tentarmos enxergar um maior espectro de soluções, tentando evitar algumas soluções viciadas. Conheça o Studio MK27. Aldeia - Kogan, qual dica deixa para os jovens arquitetos sobre a carreira de arquitetura? Marcio Kogan - Nos meus anos de escola nunca olhei especialmente para o trabalho dos grandes arquitetos. Sempre pensava em cinema, arte, literatura, entre outros Quando me graduei e comecei a trabalhar, descobri que era totalmente ignorante na minha nova profissão. Cada vez mais acredito na formação multidisciplinar. Por isso, é importante para o arquiteto compreender tudo que acontece em sua volta, desde um desfile de moda de Houssein Chalayan até os problemas sociais que nos afligem intensamente.

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